Sustentabilidade

Moda Sustentável: entenda tudo sobre essa nova tendência da indústria da moda

A moda sustentável é um conceito que vem ganhando cada vez mais relevância no mundo da moda. Mas o que significa exatamente ser sustentável na indústria da moda? Quais são os benefícios e os desafios de adotar práticas sustentáveis na produção, no consumo e no descarte de roupas e acessórios? E como a moda sustentável pode contribuir para um futuro mais justo e ecológico para o planeta e para as pessoas?

Neste artigo, vamos explorar o tema da moda sustentável em profundidade, abordando desde a sua definição e evolução histórica, até os seus impactos ambientais, éticos, sociais e econômicos. Também vamos apresentar os principais materiais, inovações, movimentos, marcas e iniciativas que estão transformando a forma como pensamos e fazemos moda. Além disso, vamos discutir os desafios e as oportunidades que a moda sustentável oferece para o setor, para os consumidores, para os governos, para a educação e para a sociedade em geral.

O objetivo deste artigo é fornecer um guia abrangente sobre a moda sustentável, que possa servir como fonte de informação, inspiração e reflexão para todos os interessados no assunto. Esperamos que este artigo possa ajudá-lo a compreender melhor o que é a moda sustentável, por que ela é importante e como você pode fazer parte dessa mudança positiva.

1. Impactos Ambientais

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A moda sustentável não se preocupa apenas com a estética, mas também com o impacto ambiental da indústria da moda. A produção, o transporte e o consumo de roupas e acessórios têm consequências negativas para o meio ambiente, que devem ser minimizadas ou eliminadas. Neste capítulo, vamos analisar os principais aspectos do impacto ambiental da moda, como o uso de água, de produtos químicos, e a emissão de gases de efeito estufa.

Produção Têxtil

A produção de tecidos é uma das atividades mais intensivas em recursos naturais da indústria da moda. Segundo a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), a produção mundial de fibras têxteis em 2019 foi de cerca de 111 milhões de toneladas, sendo 63% de fibras sintéticas, 25% de algodão e 12% de outras fibras naturais. Cada tipo de fibra tem um impacto diferente no meio ambiente, mas todos exigem uma grande quantidade de água e de produtos químicos para serem produzidos.

Consumo de Água

A água é um recurso essencial para a vida, mas também um recurso escasso e desigualmente distribuído pelo mundo. A indústria da moda é uma das maiores consumidoras de água doce, tanto na irrigação das plantações de fibras naturais, como no processamento dos tecidos. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 2,2 bilhões de pessoas não têm acesso a serviços de água potável gerenciados de forma segura. Portanto, o uso racional e eficiente da água na indústria da moda é uma questão de justiça social e ambiental.

O algodão é uma das culturas que mais consomem água no mundo. Segundo a World Wildlife Fund (WWF), são necessários cerca de 2.700 litros de água para produzir uma camiseta de algodão, o equivalente ao consumo médio de água de uma pessoa por dois anos e meio. Além disso, o algodão é cultivado em regiões áridas ou semiáridas, que sofrem com a escassez hídrica e a desertificação. Um exemplo dramático é o caso do Mar de Aral, na Ásia Central, que perdeu mais de 90% do seu volume desde os anos 1960, por causa do desvio dos rios que o alimentavam para irrigar as plantações de algodão.

As fibras sintéticas, como o poliéster, o nylon e a acrílica, também consomem muita água na sua produção. Segundo a Ellen MacArthur Foundation, são necessários cerca de 342 litros de água para produzir um quilo de poliéster, o que representa 18% do consumo total de água da indústria têxtil. Além disso, as fibras sintéticas são derivadas do petróleo, um recurso não renovável e poluente.

As fibras naturais alternativas ao algodão, como o linho, o cânhamo e a juta, consomem menos água na sua produção. Segundo a WWF, são necessários cerca de 200 litros de água para produzir uma camiseta de linho, e cerca de 300 litros para uma camiseta de cânhamo. Essas fibras também são mais resistentes e duráveis do que o algodão.

Produtos Químicos

O uso de produtos químicos na indústria da moda é outro fator que contribui para a poluição ambiental. Os produtos químicos são usados em diversas etapas da produção têxtil, como no cultivo das fibras naturais, no tingimento e no acabamento dos tecidos. Esses produtos podem contaminar os solos, as águas superficiais e subterrâneas, e afetar a saúde humana e animal.

O algodão é uma das culturas que mais usam pesticidas no mundo. Segundo a WWF, o algodão representa cerca de 24% do uso mundial de inseticidas e 11% do uso mundial de herbicidas. Esses produtos podem causar danos à biodiversidade, à qualidade do solo e à saúde dos agricultores e das comunidades locais. Alguns dos pesticidas usados no algodão são classificados como altamente perigosos pela Organização Mundial da Saúde (OMS), como o endossulfano, o aldicarbe e o monocrotofós.

As fibras sintéticas também usam produtos químicos na sua produção, como os monômeros, os solventes e os catalisadores. Esses produtos podem liberar gases tóxicos na atmosfera, como o óxido de nitrogênio, o dióxido de enxofre e o monóxido de carbono. Além disso, as fibras sintéticas podem soltar microplásticos durante a lavagem das roupas, que podem chegar aos oceanos e afetar a vida marinha.

O tingimento e o acabamento dos tecidos são as etapas que mais usam produtos químicos na indústria têxtil. Segundo a Ellen MacArthur Foundation, são usados cerca de 1.600 tipos diferentes de produtos químicos nesses processos, muitos deles tóxicos, carcinogênicos ou alergênicos. Esses produtos podem causar problemas respiratórios, dermatológicos ou neurológicos nos trabalhadores das fábricas, e poluir as águas com corantes, metais pesados e compostos orgânicos voláteis.

As fibras naturais alternativas ao algodão, como o linho, o cânhamo e a juta, usam menos produtos químicos na sua produção. Essas fibras são mais resistentes a pragas e doenças, e podem ser cultivadas sem o uso de fertilizantes ou pesticidas sintéticos. Além disso, essas fibras podem ser tingidas com corantes naturais ou orgânicos, que são menos poluentes e mais biodegradáveis do que os corantes sintéticos.

Pegada de Carbono

A pegada de carbono da indústria da moda é outra medida do seu impacto ambiental. A pegada de carbono é a quantidade de gases de efeito estufa (GEE) que são emitidos direta ou indiretamente por uma atividade ou produto. Os GEE são os principais responsáveis pelo aquecimento global e pelas mudanças climáticas, que trazem consequências graves para o meio ambiente e para a sociedade. Segundo a Ellen MacArthur Foundation, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de GEE, mais do que todos os voos internacionais e o transporte marítimo juntos.

Transporte

O transporte é uma das fontes de emissão de GEE da indústria da moda. O transporte envolve o deslocamento das matérias-primas, dos tecidos, das roupas e dos acessórios entre os países produtores e consumidores. O transporte pode ser feito por via aérea, marítima ou terrestre, cada uma com um impacto diferente no meio ambiente.

O transporte aéreo é o mais poluente de todos, pois consome muito combustível fóssil e emite grandes quantidades de dióxido de carbono (CO2), óxido nitroso (N2O) e vapor d’água na atmosfera. Segundo a International Air Transport Association (IATA), o transporte aéreo foi responsável por cerca de 2% das emissões globais de CO2 em 2019. O transporte aéreo é usado principalmente para transportar as roupas da moda rápida (fast fashion), que têm um ciclo de vida curto e exigem uma entrega rápida aos consumidores.

O transporte marítimo é o mais usado na indústria da moda, pois permite transportar grandes volumes de carga com um custo menor do que o transporte aéreo. No entanto, o transporte marítimo também consome combustível fóssil e emite CO2, N2O e óxido de enxofre (SO2) na atmosfera. Segundo a International Maritime Organization (IMO), o transporte marítimo foi responsável por cerca de 3% das emissões globais de CO2 em 2018. O transporte marítimo também pode causar poluição acidental por derramamento de óleo ou lixo nos oceanos.

O transporte terrestre pode ser feito por via rodoviária ou ferroviária, dependendo da infraestrutura disponível em cada país. Esse tipo também consome combustível fóssil e emite CO2, N2O e outros poluentes locais, como material particulado e monóxido de carbono. É usado principalmente para distribuir as roupas e os acessórios dentro dos países ou entre países vizinhos.

2. Práticas Éticas

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A moda sustentável não se preocupa apenas com o meio ambiente, mas também com as pessoas envolvidas na produção e no consumo das roupas. Neste capítulo, vamos explorar como a moda sustentável promove práticas éticas que respeitam os direitos humanos, a dignidade e o bem-estar dos trabalhadores da indústria têxtil, bem como o impacto social que a moda pode ter nas comunidades locais.

Padrões de trabalho justo

A indústria da moda é uma das maiores empregadoras do mundo, mas também uma das mais exploradoras. Muitos trabalhadores da moda enfrentam condições de trabalho precárias, baixos salários, jornadas excessivas, violações de saúde e segurança, assédio e abuso. Além disso, muitos trabalhadores são informais, sem contrato, benefícios ou proteção social. A moda sustentável busca garantir que os trabalhadores da moda sejam tratados com justiça e dignidade, seguindo padrões de trabalho justo que incluem:

Direitos dos Trabalhadores

Os direitos dos trabalhadores são os direitos fundamentais que todos os trabalhadores devem ter, independentemente de seu gênero, idade, nacionalidade, etnia, religião ou status migratório. Eles incluem o direito a um salário digno, a um ambiente de trabalho seguro e saudável, a liberdade de associação e negociação coletiva, a não discriminação e a proibição do trabalho infantil e forçado. A moda sustentável defende que os trabalhadores da moda tenham seus direitos respeitados e protegidos, e que possam exercer sua voz e participar das decisões que afetam suas vidas.

Cadeias de fornecimento éticas

As cadeias de fornecimento éticas são aquelas que garantem que todos os elos da cadeia de valor da moda sejam transparentes, responsáveis e justos. Isso significa que desde os produtores de matérias-primas até os fabricantes, distribuidores e varejistas, todos devem seguir princípios éticos que respeitem os direitos humanos, o meio ambiente e as leis locais. A moda sustentável incentiva que as marcas de moda conheçam e monitorem suas cadeias de fornecimento, identifiquem e corrijam quaisquer problemas ou riscos, e comuniquem seus esforços e resultados aos consumidores.

3. Responsabilidade Social

A responsabilidade social é a capacidade das marcas de moda de contribuir positivamente para o desenvolvimento social das comunidades onde operam ou influenciam. Isso significa que além de respeitar os direitos humanos e o meio ambiente, as marcas de moda devem também apoiar as necessidades e aspirações das pessoas que fazem parte ou são afetadas pela indústria da moda. A moda sustentável promove a responsabilidade social das marcas de moda através de:

Engajamento comunitário

O engajamento comunitário é a forma como as marcas de moda interagem com as comunidades locais onde estão presentes ou têm impacto. Isso pode envolver desde doações e patrocínios até projetos sociais e parcerias com organizações locais. O objetivo é criar valor compartilhado entre as marcas de moda e as comunidades locais, fortalecendo os laços sociais, culturais e econômicos. A moda sustentável estimula que as marcas de moda se engajem com as comunidades locais de forma autêntica, respeitosa e duradoura.

Impacto nas economias locais

O impacto nas economias locais é o efeito que as marcas de moda têm sobre o crescimento econômico, a geração de emprego e renda, a distribuição de riqueza e a redução da pobreza nas regiões onde atuam ou influenciam. Isso pode envolver desde o apoio aos produtores locais até a promoção do comércio justo e do consumo consciente. O objetivo é criar oportunidades econômicas para as pessoas que fazem parte ou são afetadas pela indústria da moda, especialmente as mais vulneráveis ou marginalizadas. A moda sustentável incentiva que as marcas de moda tenham um impacto positivo nas economias locais, fomentando o desenvolvimento sustentável e a inclusão social.

4. Materiais sustentáveis

Uma das formas de tornar a moda mais sustentável é escolher materiais que tenham um menor impacto ambiental e social. Neste capítulo, vamos explorar dois tipos de materiais sustentáveis: os tecidos orgânicos e os materiais reciclados.

Tecidos Orgânicos

Os tecidos orgânicos são aqueles que são produzidos sem o uso de agrotóxicos, fertilizantes sintéticos, organismos geneticamente modificados ou outras substâncias químicas nocivas. Esses tecidos são mais ecológicos, pois reduzem a poluição da água, do solo e do ar, além de preservarem a biodiversidade e a saúde dos agricultores e dos consumidores.

Os principais exemplos de tecidos orgânicos são:

Algodão

O algodão é uma das fibras naturais mais usadas na indústria da moda, mas também uma das mais poluentes. O cultivo convencional de algodão consome cerca de 25% dos agrotóxicos do mundo e utiliza grandes quantidades de água. Além disso, o algodão é frequentemente branqueado e tingido com corantes tóxicos que contaminam os rios e os lençóis freáticos.

O algodão orgânico, por outro lado, é cultivado sem o uso de químicos sintéticos e com técnicas que economizam água, como a rotação de culturas, o uso de cobertura vegetal e a irrigação por gotejamento. O algodão orgânico também é processado de forma mais natural, evitando o uso de cloro, formaldeído e metais pesados.

O algodão orgânico tem diversas vantagens para o meio ambiente e para as pessoas. Ele é mais macio, respirável, hipoalergênico e durável do que o algodão convencional. Ele também contribui para a melhoria das condições de trabalho e de vida dos agricultores, que recebem um preço justo pela sua produção e não ficam expostos a substâncias perigosas.

Algumas marcas que usam algodão orgânico em suas coleções são: People Tree, Patagonia, Thought e Pact.

Cânhamo

O cânhamo é uma planta da mesma família da maconha, mas com baixo teor de THC, a substância psicoativa. O cânhamo é uma das fibras naturais mais antigas da humanidade, mas foi proibido em muitos países por causa da sua associação com a droga.

No entanto, o cânhamo é uma das plantas mais versáteis e sustentáveis do mundo. Ele pode ser usado para fazer papel, corda, combustível, plástico, cosméticos e até alimentos. O cânhamo também é um excelente material para a moda, pois tem propriedades antibacterianas, antifúngicas, isolantes e resistentes.

O cultivo do cânhamo é muito benéfico para o meio ambiente, pois ele cresce rápido, não precisa de agrotóxicos ou fertilizantes, consome pouca água e melhora a qualidade do solo. O cânhamo também pode ser colhido várias vezes ao ano e produz mais fibra por hectare do que o algodão.

O cânhamo pode ser usado puro ou misturado com outras fibras naturais ou sintéticas. Ele pode ser tingido com corantes naturais ou artificiais. O cânhamo tem um aspecto rústico e uma textura áspera, mas pode ser amaciado com tratamentos especiais.

Algumas marcas que usam cânhamo em suas coleções são: Hemp Tailor, Jungmaven, Nomads Hemp Wear e HoodLamb.

Materiais Reciclados

Os materiais reciclados são aqueles que são feitos a partir de resíduos que seriam descartados no lixo ou no meio ambiente. Esses materiais são mais sustentáveis, pois reduzem a quantidade de lixo gerado pela indústria da moda e aproveitam recursos que já existem.

Os principais exemplos de materiais reciclados são:

Garrafas PET

As garrafas PET são um dos tipos de plástico mais consumidos e descartados no mundo. Elas demoram cerca de 400 anos para se decompor na natureza e podem causar danos à fauna e à flora marinha.

As garrafas PET podem ser recicladas e transformadas em fios de poliéster, que podem ser usados para fazer tecidos, malhas, enchimentos e acessórios. O poliéster reciclado tem as mesmas características do poliéster virgem, mas consome menos energia, água e emissões de carbono na sua produção.

O poliéster reciclado pode ser usado puro ou misturado com outras fibras naturais ou sintéticas. Ele pode ser tingido com corantes naturais ou artificiais. O poliéster reciclado tem um aspecto liso e uma textura macia, mas pode ser modificado com diferentes acabamentos.

Algumas marcas que usam poliéster reciclado em suas coleções são: Ecoalf, Girlfriend Collective, Patagonia e Reformation.

Tecidos Upcycled

Os tecidos upcycled são aqueles que são feitos a partir de roupas ou tecidos antigos que seriam jogados fora. Esses tecidos são mais sustentáveis, pois prolongam a vida útil dos materiais e evitam o desperdício de recursos.

Os tecidos upcycled podem ser usados de diversas formas na moda. Eles podem ser cortados, costurados, bordados, estampados, pintados ou customizados de acordo com a criatividade dos designers. Eles podem ser usados para fazer peças únicas ou coleções limitadas.

Os tecidos upcycled podem ter diferentes aspectos e texturas, dependendo da origem e do tratamento dos materiais. Eles podem ter um estilo vintage, retrô, moderno ou eclético.

Algumas marcas que usam tecidos upcycled em suas coleções são: Tonlé, Zero Waste Daniel, Preloved e Christy Dawn.

5. Movimento do Slow Fashion

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Conscientização do Consumidor

O slow fashion é uma alternativa à moda rápida, que se caracteriza pelo consumo excessivo e descartável de roupas e acessórios. O slow fashion propõe uma mudança de paradigma na forma como nos relacionamos com a moda, valorizando a qualidade, a durabilidade e a ética das peças. Neste capítulo, vamos explorar dois aspectos principais do movimento do slow fashion: a conscientização do consumidor e a longevidade dos itens de moda.

Educar os Consumidores

Um dos objetivos do movimento do slow fashion é educar os consumidores sobre os impactos ambientais e sociais da indústria da moda, e incentivá-los a adotar hábitos de consumo mais responsáveis e sustentáveis. Algumas das estratégias para alcançar esse objetivo são:

  • Fornecer informações transparentes e confiáveis sobre a origem, a composição e o processo de produção das peças de moda.
  • Utilizar etiquetas, certificações, relatórios ou plataformas digitais que rastreiam o ciclo de vida dos produtos.

Além disso, é importante divulgar os benefícios do slow fashion para o meio ambiente, para os trabalhadores e para os próprios consumidores, como a economia de recursos, a redução de resíduos, a melhoria das condições de trabalho e a satisfação pessoal.

Mudar os Hábitos de Compra

Outra forma de conscientizar os consumidores é estimulá-los a mudar seus hábitos de compra, optando por peças de slow fashion em vez de moda rápida. Isso implica em comprar menos, mas melhor, escolhendo peças de qualidade, duráveis, versáteis e atemporais, que possam ser usadas por mais tempo e combinadas de diferentes formas. Também implica em evitar compras impulsivas ou motivadas por tendências passageiras, e priorizar marcas que adotam práticas sustentáveis e éticas. Além disso, é importante incentivar os consumidores a cuidar bem de suas roupas, lavando-as com menos frequência e usando produtos ecológicos, consertando-as quando necessário e doando-as ou reciclando-as quando não as quiserem mais.

Longevidade dos Itens de Moda

A longevidade dos itens de moda é outro aspecto fundamental do movimento do slow fashion. Ela se refere à capacidade das peças de resistir ao uso e ao tempo, mantendo sua funcionalidade e sua estética. A longevidade depende tanto da qualidade dos materiais e da confecção das peças, quanto do design e do estilo das mesmas. Alguns dos fatores que contribuem para a longevidade dos itens de moda são:

Qualidade sobre Quantidade

A qualidade sobre a quantidade significa priorizar peças feitas com materiais naturais ou reciclados, que sejam resistentes, confortáveis e saudáveis para a pele e para o planeta. Também significa optar por peças bem confeccionadas, com acabamentos cuidadosos e duradouros, que não se desgastem ou se deformem facilmente. A qualidade sobre a quantidade implica em investir mais em peças que vão durar mais, em vez de comprar muitas peças baratas que vão se deteriorar rapidamente.

Designs Atemporais

Os designs atemporais são aqueles que não seguem modismos ou tendências efêmeras, mas que têm um estilo clássico ou minimalista, que pode ser usado em qualquer época ou ocasião. Os designs atemporais são versáteis e fáceis de combinar com outras peças, criando looks variados e elegantes. Os designs atemporais também expressam a personalidade e o gosto do consumidor, em vez de seguir padrões impostos pela indústria da moda.

6. O papel dos influenciadores

O impacto dos influenciadores nas escolhas dos consumidores

Os influenciadores são pessoas que têm uma grande audiência nas redes sociais e que podem afetar as opiniões, atitudes e comportamentos dos seus seguidores. No mundo da moda, os influenciadores podem ter um papel importante na promoção da sustentabilidade, ao mostrar aos seus fãs como se vestir de forma consciente, ética e ecológica. Alguns exemplos de influenciadores que se dedicam à moda sustentável são:

  • Marina Testino (@marinatestino): A sobrinha do famoso fotógrafo Mario Testino é uma ativista da moda sustentável, que lançou o projeto #OneDressToImpress, no qual usou o mesmo vestido vermelho durante um mês, para chamar a atenção para o consumo excessivo de roupas e a necessidade de reduzir o desperdício.
  • Emma Watson (@emmawatson): A atriz e embaixadora da ONU Mulheres é uma defensora dos direitos humanos e do meio ambiente, que usa o seu poder de influência para apoiar marcas que respeitam os trabalhadores e o planeta. Ela também criou uma conta no Instagram chamada @the_press_tour, onde mostra os seus looks sustentáveis em eventos e tapetes vermelhos.
  • Livia Giuggioli Firth (@liviafirth): A fundadora e diretora criativa da Eco-Age, uma consultoria de sustentabilidade para a indústria da moda, é uma das líderes do movimento Fashion Revolution, que busca mais transparência e responsabilidade na cadeia produtiva da moda. Ela também é a idealizadora do Green Carpet Challenge, uma iniciativa que convida celebridades a usarem roupas sustentáveis em eventos de gala.

Colaborações com marcas sustentáveis

Outra forma de os influenciadores contribuírem para a moda sustentável é através de colaborações com marcas que seguem os princípios da sustentabilidade, seja na escolha dos materiais, no processo de produção ou na distribuição dos produtos. Essas colaborações podem ajudar a aumentar a visibilidade e a credibilidade das marcas sustentáveis, além de atrair novos consumidores que se identificam com os valores dos influenciadores. Alguns exemplos de colaborações entre influenciadores e marcas sustentáveis são:

  • Gisele Bündchen e C&A: A modelo brasileira, que é uma das maiores defensoras da preservação da Amazônia, lançou em 2018 uma coleção cápsula com a C&A, composta por peças feitas com algodão orgânico e certificado pela Better Cotton Initiative (BCI), uma organização que promove o cultivo sustentável do algodão.
  • Pharrell Williams e G-Star Raw: O cantor e produtor musical, que é um dos ícones da moda urbana, se tornou em 2016 o coproprietário da marca holandesa G-Star Raw, conhecida pelo seu jeans inovador e sustentável. Ele também é o fundador da Bionic Yarn, uma empresa que transforma plásticos recolhidos dos oceanos em fibras têxteis.
  • Stella McCartney e Adidas: A estilista britânica, que é uma das pioneiras da moda vegana e sustentável, tem uma parceria de longa data com a Adidas, na qual cria coleções de roupas e calçados esportivos com materiais reciclados, orgânicos ou biodegradáveis. Ela também foi a responsável pelo design dos uniformes da equipe britânica nas Olimpíadas de Londres 2012, usando tecidos feitos com garrafas PET recicladas.
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Conclusão

Neste artigo, exploramos o conceito de moda sustentável, seus impactos ambientais e sociais, seus desafios e oportunidades, e as iniciativas que estão sendo tomadas para promover uma indústria da moda mais responsável e consciente. Vimos que a moda sustentável é uma tendência crescente, que envolve desde a escolha dos materiais, o design, a produção, o consumo, até o descarte das peças de roupa. Também vimos que a moda sustentável é um movimento global, que conta com a participação de marcas, governos, educadores, influenciadores e consumidores.

A seguir, respondemos algumas perguntas frequentes sobre moda sustentável:

  1. O que é moda sustentável?
    Moda sustentável é um termo que se refere a uma abordagem da indústria da moda que busca minimizar os impactos negativos sobre o meio ambiente e as pessoas, e maximizar os benefícios positivos para a sociedade e a economia. A moda sustentável engloba aspectos como o uso de materiais orgânicos ou reciclados, a redução do consumo de água e energia, a eliminação de substâncias químicas tóxicas, o respeito aos direitos humanos e trabalhistas, a promoção da diversidade e da inclusão, a extensão da vida útil das roupas, e a criação de um sistema circular que evite o desperdício e a poluição.
  2. Por que a moda sustentável é importante?
    A moda sustentável é importante porque a indústria da moda é uma das mais poluentes e exploradoras do mundo. Segundo a ONU Meio Ambiente, a indústria da moda consome cerca de 93 bilhões de metros cúbicos de água por ano, o equivalente ao consumo anual de cinco milhões de pessoas. Além disso, a indústria da moda é responsável por cerca de 10% das emissões globais de gases de efeito estufa, e por 20% da poluição das águas pelo descarte de produtos químicos e microplásticos. A indústria da moda também é marcada por violações dos direitos humanos e trabalhistas, como baixos salários, condições precárias, trabalho infantil e escravo, discriminação e assédio. A moda sustentável busca mudar essa realidade, criando uma indústria mais ética, justa e transparente.
  3. Como posso aderir à moda sustentável?
    Você pode aderir à moda sustentável mudando seus hábitos de consumo e escolhendo marcas que se comprometem com a sustentabilidade. Algumas dicas são:
    – Compre menos e melhor. Evite comprar peças que você não precisa ou que não vão durar muito. Prefira peças de qualidade, que sejam versáteis e atemporais.
    – Informe-se sobre as marcas que você consome. Pesquise sobre os valores, as políticas e as práticas das marcas que você compra. Verifique se elas possuem certificações ou selos que comprovem sua responsabilidade social e ambiental.
    – Apoie marcas locais e independentes. Dê preferência para marcas que produzem localmente, que valorizam os produtores locais, que utilizam materiais naturais ou reciclados, e que têm um estilo único e autêntico.
    – Reutilize, reforme e recicle suas roupas. Antes de descartar suas roupas, pense em formas de dar uma nova vida a elas. Você pode doar, trocar, vender ou alugar suas peças usadas. Você também pode customizar, consertar ou transformar suas roupas em novas peças. Se não for possível reaproveitar suas roupas, procure reciclá-las em pontos de coleta ou em programas de logística reversa das marcas.
  4. Quais são as principais tendências da moda sustentável?
    Algumas das principais tendências da moda sustentável são:
    – O uso de materiais orgânicos ou reciclados, como algodão orgânico, cânhamo, bambu, garrafas PET, retalhos ou sobras têxteis.
    – O uso de tecnologias inovadoras para criar tecidos inteligentes ou biodegradáveis, como impressão 3D, nanotecnologia, biotecnologia ou tecidos solares.
    – A adoção de um modelo de economia circular, que busca reduzir, reutilizar e reciclar os recursos, evitando o desperdício e a geração de resíduos.
    – O design minimalista e zero-waste, que busca criar peças simples, funcionais e elegantes, que se adaptam a diferentes ocasiões e estações, e que utilizam padrões que aproveitam ao máximo o tecido, sem deixar sobras.
    – O movimento slow fashion, que propõe uma moda mais consciente, que valoriza a qualidade, a durabilidade e a originalidade das peças, e que incentiva os consumidores a comprar menos, melhor e com mais propósito.

Referências

Produção de tecidos: veja os processos e a inovação por trás (audaces.com)

A indústria da moda está usando muita água – saiba como reduzir seu consumo – Vogue | Um Só Planeta (globo.com)

Circular economy principle: Circulate products and materials (ellenmacarthurfoundation.org)

Transporte aéreo e CO2: Impacto ambiental e soluções – Ciclo Orgânico (cicloorganico.com.br)

Depois de 10 anos, Gisele Bündchen volta à C&A | Exame

Pharrell Williams compra parte da marca de jeanswear G-Star Raw – FFW (uol.com.br)

adidas by stella mccartney | adidas Brasil

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